Ah gosto
Eis que volto a cena da vida, com ares de vida corrida e a sensação de ser esquecida naquilo que mais me apraz.
O tempo, o relógio, a vida, que por vezes não finda de pedir um pouco aqui um "cadin" acolá.
E o lá que existe, é aonde moram os sonhos de esperanças festivas e de quem sabe algum dia...Dia, noite, dia, madrugada vazia e o tic-tac constante, mas já não o bastante prá calar o silêncio sentido e profundo que a alma anseia poder captar, sentir, ultrapassar.
Ar, chuva, lembrança, um gosto de quando criança achar o que ninguém mais viu.
Ver aquilo que outrora lá na casa da Aurora, brotava que nem a toalha na mesa, coberta por não mais poder esconder da gente aquela fartura, aquele carinho contido dentro de cada pote lacrado, do doce que estragou certo dia de tanto que se olhou e não abriu.
O frio, o cinza, o nebuloso, o final de semana chuvoso e um pai todo orgulhoso que contava piadas sem graça sentado ali nessa praça, com tanta vontade que até nos fazia sorrir.
Cheiros, lembranças, fogueira e comilança, com rimas, modinhas afins, jeito de ser querubim, achando que o fim não chegava e que a noite era encantada, já que na cabana feita de pano, o mundo era todo e só meu.
Orfeu, morreu...gritava a tia assustada, mas que gato maldito, eu já não havia dito que o pote era prá festa da Boa Esperança ?
Vento, balança, não chore ele volta, bichos são anjos que te esperam no céu... no céu dos cachorros mamãe?
É sim, nesse mesmo.
E o fim ,justifica o começo com todo aquele arremesso, o forte,o fraco e o afim???
Mas qual será o começo e onde começa o fim?
Do que menina, pára de ficar escondida, sua tia já foi e você não vai mais.
Ufa, finalmente um dia só meu, sem sorrisos forçados, fofocas sobre supostos passados, ex namorados e gente que foi sem nunca ter vindo.
Um dia só meu, prá ler todas as linhas que não escrevi, ver os quadros que nunca pintei, ouvir as músicas que ele nem tocou.
Que melancolia...não, só estava lembrando da tia Lia, essa sim fabulosa, com jeito de fruta frondosa e que também já foi nova. Grama que agarra, toalha jogada, um tapa, uma bofetada continham tanto amor disfarçado.
E o namorado? Fugiu com o moço ali do lado, coitado.
E agora o que eu faço? Come mais um pedaço de bolo...
Chego, volto, páro, viajo prá todos os lados e por onde passo acho que me acho e volto pra casa de novo, sentindo que nada é novo além dessa vida.
Mala arrumada, passagem comprada, uma vida tão esperada que nunca mais vai vir.
Amigo que era e não é mais, amiga que foi sem nunca ter sido, o pobre do marido esquecido, a casa já toda pintada com massa corrida pregada, na parede do quarto vazia que faz frio de noite e de dia.
Poesia, esperança uma tarde com a casa vazia e a vontade de entrar numa dança sem nunca mais parar.
Sonhar com o filme não visto, a viagem não feita, ora menina, cresça!
Você já sabe de cor, que cor tem sua fala e fale mais não permita em que a fala consinta...
Sinta-se bem por ter alguém a quem lhe provem, porque assim é mais fácil a vida querida.
Não sonhe demais, não volte atrás, aperte apertado, não deixe seu pai zangado que depois tudo fica trancado e antes que o pior aconteça, a tarde estremeça, você diz e não pensa e quem pensa não faz.
Viva apenas, viva e sinta que a vida vale a pena e o coração nem condena quem ama demais.
Ele era o certo mas nunca viu, ela era certa e nem percebeu.
O que aconteceu com o gato?
Tem 7 vidas e se nessa não ganhou a corrida, tem ainda mais 6.
E vocês vão para onde?
Onde fica longe?
Será que é muito distante daquilo que sinto constante com vontade de quero mais?

Luca,saudades. Linda como sempre!
ResponderExcluirhei Lu...que lindo...adorei...vc é dimais prima !!!
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